O Blog da Kana ficou parado por uns tempos. Culpa do novo curta-metragem da Kana Filmes,”Conatus”, cujas filmagens terminaram na semana passada.
foto: Gustavo McNair
O curta, em 35mm, reflete sobre a relação do artista com sua obra, relação esta que é sempre permeada pelos imperativos mercadológicos de sucesso, reconhecimento, dinheiro. No filme, MOTTA, um artista plástico de quase 50 anos, tenta manter-se íntegro a um trabalho conceitual que mantém recluso a mais de 10 anos, ao receber uma proposta de exposição que julga vazia e sem propósito.
O curta-metragem, cujo lançamento está previsto para o começo de 2010, contou com um elenco de primeira: Marcelo Szpektor, Valentina Lattuada e João Paulo Lorenzon.
Satisfeitos com um trabalho realizado com paixão, inspiração e competência, junto a uma equipe e elenco impecáveis, o blog está de volta. Felizes, e com o conatus lá em cima.
Impressionante como, no cinema, as noções de tempo e espaço são totalmente distorcidas. Mergulhamos numa atmosfera paralela e a vivemos intensamente, com toda nossa emoção física e mental. E não estou falando de assistir filmes, mas de fazer cinema, das filmagens, produção. Jornadas homéricas de trabalho, horas de sono reduzidas a cochilos esporádicos, esforço braçal alterofilista, alimentação limitada e concentração intelectual exaustiva. “É uma puta entrega”, como diria nosso colega Filipe. E no fim? Aquele errinho que não nos deixa dormir, agora que podemos, ou aquele imprevisto que poderia ter sido melhor resolvido. Será que fizemos as opções certas? Será que bem representamos a atmosfera que criamos e convivemos em toda essa nossa entrega? E a resposta é, provavelmente, não. Não totalmente. E é ai que está a magia do cinema.
O que vemos na tela é um recorte quase infiel da magnitude daquele universo construído que ela projeta. Há muito mais nos filmes do que a captação inédita feita pelos olhos dos espectadores. Eles estão lá, passiveis à entrega física e mental, e é nessa hora que a consistência daquela atmosfera criada pelo esforço físico e mental do grupo nas filmagens (e ante) aparece, para fazer ou não cada um desses espectadores entregarem-se ao nosso suor. É a consistência do conjunto que mantém a compreensão livre e particular (“Cada um no seu Metro Quadrado, no seu Buraco Negro”).
Mas todas essas questões, dúvidas e ansiedades, só serão resolvidas com o filme pronto. Como bem reproduziu nosso outro colega André, durante o brinde de conclusão das filmagens, uma frase de Suzana Amaral: “o importante é colocar o filme na lata”.
E isso colocamos, em grande estilo.
cartaz de cena: Ana Franceschi
O curta-metragem “Metro Quadrado”, nova produção da Kana Filmes, em 16mm, acabou de ter suas filmagens concluídas, e deve ser lançado no início de 2009.
O cineasta David Lynch, que está no Brasil para divulgar seu livro Águas profundas: Criatividade e Meditação, disse em entrevista que ”a internet vai substituir o cinema”.
Bom, talvez por um motivo parecido (ou não), as três últimas partes do nosso primeiro curta Happy End, que foi divido em 5 para a internet. Pegaram a pipoca?
Um dos maiores desafios de quem trabalha com audiovisual é saber explorar as mídias disponíveis.
Cada uma pede um linguagem, um tempo, uma estratégia de promoção, um formato, um jeito de ver. Há trabalhos que são feitos para a internet, e outros que tem que ser adaptados à ela.
O Happy End, primeiro curta-metragem da Kana Filmes, de 2007, está agora disponível na internet. Em capítulos, pensando nisso.
Abaixo, os dois primeiros “capítulos”. Internet, ver fragmentado, vai aos poucos.
O mais novo trabalho da Kana Filmes. ”Reflexos do Rio” é um documentário discute a relação entre o Rio Tietê e a cidede de São Paulo a partir da exposição do artista plástico Eduardo Srur. Aqui dividido em dois blocos para uma melhor qualidade.